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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Caça & Caçador - Conto

Amigos e amigas, Creio nunca ter postado nada muito longo [ Contos ], este é um pedaço de algo que escrevi estes dias, irei postar a primeira parte dos meus escritos aqui, o restante... Será divulgado apenas quando estiverem impressos. Fiquem a vontade para comentar. A seguir, temos um começo de um romance [ romance?] um tanto quanto louco. A mesma cena é vista de dois ângulos, do nosso vilão [ não seria mocinho? talvez!] e nossa garota indefesa. Sou meio clichê com meus personagens, meus rapazes sempre tem cabelos compridos, olhos sensuais e minhas meninas sempre tem olhos meigos, cabelos escuros e são virgens u.u , Este sem dúvido não é meu melhor escrito, foi apenas um pequeno filme que criei na mente e resolvi escrever, Mas apreciem, usem seus paladares, sintam a textura e boa viagem!


Caça & Caçador

Por: Katrina de Salem (Larissa Rodrigues)

Parte I – A ninfa, o Caçador.

Ela:

As luzes piscavam na pista, corpos dançavam sensualmente, a fumaça de gelo seco era sacudida pelos pés, pessoas se beijavam, outras riam em mesas com amigos. Estava muito abafado e o E.B.M estava começando a me deixar tonta, resolvi subir, tomar ar fresco no terraço da danceteria. Blutengel estava tocando enquanto eu subia lentamente os degraus. Caminhei até a varanda, me apoiei nela e fiquei observando o mar ao longe, os navios ancorados e suas luzes, eram as únicas coisas naquela escuridão. O Mar bramia, eu não podia ouvir, mas sabia que ele não estava mudo. A lua branca o beijava, o tocava, e sei que o mar não a sentia. O bafejo do oceano me tocava ternamente. Eu sabia que meus amigos não notariam que eu não estava mais com eles... Estavam todos bêbados. O frio começou a me fazer se arrepender por ter ido com aquela saia de vinil, frustradamente fechei o bolero de mangas longas e tecido fino e me reclinei sobre a varanda. Ouvi passos atrás de mim, mas não me importei. Continuei a contemplar o céu e a escuridão, todavia senti-me estranha, a sensação que de me olhavam me incomodou e virei-me para o possível observador. Pelos Deuses! Eu tive certeza de que o que eu vi era irreal e se fosse real não era humano.

Desconcertada, apoiei-me na varanda, e o olhei, provavelmente minha expressão deve ter sido de timidez, medo talvez. Senti minhas pernas tremerem, o vento que começou fluir pareceu-me gélido, como o beijo de um cadáver. Aquela sensação de gelo tomou-me por completo, meus olhos só conseguiam vê-lo, apenas ele e nada mais, começou a ser torturante.

Ele devia ter 1.90, tinha cabelos negros lisos e longos, de mexas inteiriças, seu rosto era alvo, levemente arredondado no que tangia têmporas, testa, maçãs do rosto, mas afinava esculpindo o queixo. Seu nariz era fino, alongado como se algo de perfeito o tocasse. Os lábios cerrados eram retos, levemente cheios e rosados. Ele vestia um casaco, algo muito clássico, quase antigo. Devia gostar de moda vitoriana. Certamente o que mais me chamou atenção foi o olhar dele. Eram olhos azul-acinzentados, de cílios negros, longos sem curvatura. As sobrancelhas eram suaves, davam-lha algo de sensual. Ele me olhava a poucos metros de mim, seu olhar era como o de um caçador, parecia me estudar, me invadir. Pareceu-me que ele poderia saltar sobre mim e quem sabe sair voando comigo, ele sorriu. Um sorriso malvado e satisfeito e sentou-se num banco se cimento ao lado de um homem que o acompanhava. A julgar pelas roupas e modos, devia ser algum empregado dele. Dei as costas, tentando fugir daquele olhar arrepiante. Engoli a saliva, fiquei ofegante. Eu tinha que sair dali. Mas algo em mim estava curioso: De onde ele havia vindo? Eu nunca o vi ali! Com certeza era de fora, a aparência dele dizia isso. Será que falava minha língua? Logo o ouvi conversar com o homem, não falara em meu idioma, parecia outro. Apertei as mãos na varanda até doerem no concreto, e virei-me novamente, com muita lentidão tirei um dos pés do chão e tentei sair do lugar, ir embora. Ele levantou com rapidez e como se adivinhasse o que eu iria fazer, deu um passo á direita, e estava bem no meio do caminho para a escada, eu teria que passar bem perto dele. Eu precisava fugir, dei uns 5 passos, bem perto dele baixei o olhar, segurei o corre-mão e quando quase alcancei o primeiro degrau senti algo agarrando meu braço com muita força.

- Deusa!

-Hã? – Fiquei sem entender, ele me olhava, sorrindo, mas não gentilmente, parecia absorto.

- Deusa! A quero pra mim! – Ele sussurrou, tinha um pouco de sotaque.

- Me largue! – Tentei puxar meu braço, mas ele não deixou. Continuava a sorrir diabolicamente. Puxou-me para trás, afastando-me da escada, com o outro braço colou-me junto a seu corpo, sufocando-me. Vi-me gritando, agudo, esperneando, chutando-o, mas ele longe de se incomodar, sorria, como se eu fosse um presente nos seus braços. O homem falou algo, e ele perdeu um pouco a atenção, aproveitando eu fugi, desci as escadas com desespero e corri ao banheiro feminino. Entrando lá, comecei a chorar, meu coração chegava a doer de tão rápido que batia. Umas duas garotas retocavam a maquiagem, me olharam confusas, mas nada disseram. Passados alguns segundos recuperei-me. De repente a porta do banheiro veio a baixo, no lugar dela, surgiu ele. As meninas gritaram, enquanto ele entrava, elas saiam apavoradas. Peguei um pequeno vaso de flores artificiais do balcão e atirei nele, ele desviou-se sem esforço. Logo o homem que o acompanhava irrompeu no banheiro e puxando-o pelo braço pareceu o convencer a sair. Em pânico sai, não vi as pessoas dançando e esbarrei em todas que estava em meu caminho, as luzes me deixavam tonta, desorientada. Fui até a mesa onde estava minha bolsa, peguei-a, e sem explicar nada fui para a saída. Precisava ir para casa. Era quase meia noite e as ruas estavam vazias. Vi um carro importado passando por mim, parou bruscamente a vinte metros, e dele saiu o louco que me perseguia. Ele começou a correr até mim, fiz meu percurso de volta ao clube correndo, mas acabei tropeçando em algo. Ele era muito rápido, logo que cai ele chegou, levantou-me, meu joelho sangrava. Gritei o mais alto que pude, eu não conseguia pensar, não conseguia falar, só gritar, tentei bater nele mas ele nada sentia. Levou-me ao carro e lá, me colocou no banco de trás, sentou-se lá também, fechou a porta e falou algo pro homem, o carro começou a andar. Ele não tentou me tocar, deixou-me sentar, apenas me olhava e sorria.

Ele:

Sinceramente, não acreditei que neste país eu pudesse me divertir. Comprei a mansão próxima à praia apenas por indicação de meu mordomo e amigo Claudius. Naquela noite, eu iria conhecer a cidade e seus atrativos e não estava nem um pouco animado pra isso, mas por insistência de Claudius, arrumei-me com minha melhor roupa, e fui.

Chegamos a uma danceteria, estavam tocando minhas músicas preferidas, mas não havia nada de interessante, se quer quis beber. Vi uma escada, desejei saber onde ela me levaria. Sob os olhares espantados cruzei a pista agitada, as garotas me olhavam muito, creio que me destaquei ali. Degrau por degrau, a medida que os percorria, um belo terraço me surgia mas apenas no último eu veria meu prêmio.

Claudius logo sentou-se, eu não. Fiquei de pé, vendo aquela silhueta perfeita. Eu queria muito ver o rosto dela. Eu sempre tive tudo o que quis, e eu iria descobrir aquele rosto. Não sei como, ela pareceu sentir-me e voltou-se para mim. Fiquei extasiado, mas não demonstrei, apenas contemplei a mulher mais linda que já havia visto e tive certeza que ela seria minha, mesmo que ela corresse, chorasse, implorasse, mas seria minha e eu teria o amor dela. Há! Aqueles olhos brilhantes bruxulearam, os lábios cheios e sensuais entreabertos talvez dissessem algo, mas permaneceu muda. Ela enrubesceu, mas parecia ter medo de mim. Voltou-se para a vista novamente. Eu sabia que havia mexido com ela, sabia que os pensamentos dela eram meus e logo ela também seria. Sentei-me, e comentei sobre ela para Claudius, e esperei qualquer movimento dela, estava nervosa, incomodada, eu sentia. Isso era excitante pra mim. A pele dela era perfeita, de costas contemplei as curvas, as pernas, era sem dúvida muito atraente e pela insegurança de seu olhar e gestos, era pura também. Não demorou muito, ela moveu-se. Rapidamente fiquei de pé, me posicionei na frente da escada, se ela tentasse fugir, iria ser bem pra mim que viria. Vi o pé arrastar-se no chão, o salto da bota tocou-o sem ruir e ela veio caminhando lentamente, como uma ninfa em negras florestas. Não pude conter meu sorriso. Ela chegou bem perto de mim, pude sentir o perfume floral e delicado dela, a frágil donzela estava ao meu alcance. Minha mão fechou-se no braço dela, segurei-a com força. A fiz voltar seu caminho.

- Deusa! – Falei, depois de pensar muito, aquele idioma novo não era muito bem dominado por mim. Ela pareceu não entender, talvez pelo meu sotaque, mas falou algo, não tenho certeza, mas creio que me pediu para deixá-la em paz. Eu não podia! Ela iria descobrir que tudo o que Sir Christian deseja, Sir Christian tem. Trouxe para mim aquele corpo, apertei contra mim. Ela era minha! Claudius preocupado falou que eu estava machucando-a, por um descuido ela fugiu, mas eu a encontraria. Segui-a, eu a vi entrando no banheiro. Corri para lá, sem me importar com os resmungos de quem eu atropelava em minha corrida. Um golpe apenas e a porta estava no chão, eu a vi... Apenas ela. Acho que haviam garotas lá, não tenho certeza. Todavia, meu mordomo chegou, puxou-me pelo braço. Percebi que poderia arranjar problemas com a segurança e sai. Recolhido num lugar escuro, vi a minha ninfa pegar sua bolsa e sair. Sorri para claudius.

- Vamos atrás dela. – Disse para ele.

Já no carro, sentei-me ao lado de claudius, enquanto ele dirigia eu a seguia com os olhos. Pobre moça, estava tão assustada! Mas ela um dia me agradeceria. Mandei Claudius parar, desci. Minha caça correu, voltando, mas com aquele salto ela não iria longe, não precisei de muito para chegar até ela. Caída, vi que havia se machucado, tomei-a nos braços, seus gritos eram quase insuportáveis, mas tudo valeria a pena, eu tinha certeza. Coloquei-a no banco de trás, Claudius prevendo isso, deixara a porta aberta. Fechando-a, ordenei:

- Vamos! Vamos pra casa.

Ela chorava muito, muito mesmo. Estava apavorada, encolhida num canto do banco ela me olhava, parecia sentir ódio de mim naquele momento.

Mas eu estava feliz demais pra me incomodar com o ódio dela, eu apenas a queria perto de mim. Não a toquei, não queria que ela pensasse que eu iria obrigá-la a coisas indecentes, eu iria dar um jeito de que tudo acontecesse naturalmente, iria ter o amor dela, cuidar dela, e não deixar que ninguém se aproximasse de minha ninfa, eu iria eliminar quem tentasse, estava disposto a brigar com Deus se fosse preciso. Ah! Que Deus? Não acredito nele.