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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Canção da saudade


Flauta doce que desliza no vento inconstante
Navegas sozinha no acalanto tristonho das ondas
Um saudoso se ilude com uma terra distante
E os olhos escuros, tão frios, nada mais alcançam.

Teu pensamento saudoso surfando no ar
Tocando tão gélido um rosto querido
Que em resposta se molha de triste pranto
Se perdendo na lembrança do escuro mar

“Pra longe de mim zarpou meu amor
Num navio sem velas, num porto sem volta
Seu vulto de anjo ainda me sonda na noite
E uma voz me diz pra não chorar” – Canta a donzela sem cores

Nauta tristonho fenecendo nas sombras
Um farolete brilhante na noite avisa um sonho
Miragem no mar, delírio nostálgico, fantasia!
Cantai teus amores preparando um velório

“ Não chores anjo meu de faces taciturnas
Na escura madrugada em meio a maresia
Encontro-te nos devaneios meus de amor
Embriagado de nostalgia, te perco e choro” _ Responde solitário Nauta.

By: Katrina De Salem

P.s: Inspirado em algumas poesias de Casimiro De Abreu

Morte


A morte veio negra e nefasta
Carnes pútridas despencam,rolam no chão
Odores angustiantes pesteiam o ar pesado
A foice não para de ceifar, incansável.

Morte!

Uma lágrima de dor cai a meia noite
Doze badaladas e uma saudade que não dorme
Um anjo vagando pela estrada sem fim
Anunciando a chegada da morte

Um sino ao longe badala tristonho
Lamenta um defunto sem vida na cova
Um uivo adora a lua no céu de estrelas
E a morte continua a eterna jornada

Morte!

A morte e a vida se tocam, se confundem
Como uma imagem no espelho da vida
Morrer é viver e viver é morrer
Um veneno que mata e cura

O sangue não pode parar de cair
Cascata vermelha e podre a jorrar
Uma lembrança, um velório, uma carta talvez
A dor, a magoa, e um inevitável Adeus

Morte!

A virgem no leito de sonhos espera
A chegada da dama negra do mundo
Ela teme, ela chora, ela não quer ir embora
Mas a morte não espera nem perdoa

A todos ela quer, a todos ela chama
Ela não escolhe santo ou profano
Ela apenas toma o que nos foi dado
Ela chega sem aviso e é inevitável

Morte!

By: Katrina De Salem

Você...


Raios da lua atravessam minha alma
As sombras em mim tornaram-se vivas
São monstros debaixo da cama
São vozes me chamando lá fora

Tão longe!

O anjo da morte afinal chegou
Beijou-me o rosto, me carregou
Voamos pelo céu frio da madrugada
Sem nenhum sol ameaçando a escuridão

Tão longe!

Você! Só você!

Fez-me despertar do sono eterno
Trouxe-me de volta a vida com sua poesia
Deu-me o bálsamo pras feridas
Deu-me uma nova esperança

Tua arte me abrasando como o fogo
Dando cores à minha existência monocromática
Alimentando minha alma com palavras
Vestindo-me a nudez com teus versos

Suas sombras me confortam na solidão
Seu amor finda o inverno que jaz aqui
Mesmo que por alguns instantes
Sinto-me viva com tua presença

Retornando na tua ausência, ao túmulo meu.

By: Katrina De Salem

p.s: Dedico-a a você, meu poeta...

Amor Taciturno


Querido, as sombras não mais me assustam!
Me mostre a escuridão do seu coração secreto
Deixe-me provar do amargor que tens em ti
Me permita ser e sentir você e sua dor

Tome minha alma, sorva-a até o último gole
Envolva meu ser com tua fúnebre aura
Alimente-me com a inocência de um amanhecer
Me embriague com teu hálito de orvalho

Não mais tenho medo de olhar em teus olhos
De ver tua frieza e tua solidão vividas com ardor
Não mais me assusto com teus pesadelos
Não mais me importo com tua boca obscura

Me deixa tocar tua pele tão fria e tão alva
Me beije, me dê seu veneno negro e fatal
Molhe meus lábios com teu beijo
Me afoga no teu abraço soturno

Seja minha vida, meu luar, minha estrela
Seja meu barco nesta tempestade interminável
Seja a sombra atrás da porta
A silhueta desenhada em minha cama

Amo tua escuridão, Amo tua obscuridade
Quero te seguir, te acompanhar, ser sua!
Se a eternidade existir, Deixe-me vive-la
Com você.

By: Katrina De Salem

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Expulsos da estrela


Tão triste nascemos na lama do mundo
No meio de odores corrompendo a alma
E mesmo humanos tornamo-nos monstros
Monstros carentes de amor, cruéis e tão frágeis.

Abra os olhos meu poeta!
Vejamos a lua hoje no céu em clarão
Sigamos a trilha perdida dos elfos.
A estrela distante nos chama no além

Lemúria!

Esqueçamos as dores pungentes de outrora
A existência terrena que fracassou como sonho
Dê-me vossa mão e voemos sem medo
Sumamos na linha horizontal azul

Escuta o chamado de almas afins
Um canto entoado pelos iguais pra um encontro
Cantemos também a canção numa só voz
Cantai! Chorai! Mas chorai junto a mim!

Ancestrais na floresta nos mostram o caminho
Ainda resta um pouco de fé dentro de mim
Usemos então, não posso perdê-la!
Não me deixe meu caro, sem ti perco a rota!

Lemúria!

Sigamos a estrela que brilhou para nós
Dizem que lá a dor não existe
Um portão abrir-se-á aos filhos de mística pátria
E um campo de prata nos recebe enfim

Um choro sem fim toma os nostálgicos
Que caem por terra beijando o chão
Meu coração está em Lemúria
A terra antiga imaculada e encantada.

by: Katrina De Salem

Misérias


Alma que sangra em triste outono
Declarando amor á escuridão
Triste náufrago tão saudoso
De sua terra entoando uma canção

Flor de inverno que brota em sangue
Cobrindo o túmulo do vampiro solitário
O pranto caindo sem cessar com a chuva
Molhando um cadáver frio no mortuário

Tantas misérias possui uma alma
Refletindo á noite nas sombras da lua
Feridas, espinhos que na memória guarda
Mostrando crueldade quando se acha nua

Em trapos se arrasta nas sombras a fora
Lacrimosa criatura em busca de mentiras
Pobre monstro infernal almejando paraíso
Fere a todos, fere a si, grita,morre, chora!

By : Katrina De Salem

Sentenças

A taça no chão quebrada
O vinho manchando o tapete
A música repete sem dança
A lágrima cai gelada e brilhante
Um raio de luar me toca
Um grito de um lobo ecoa
A lua no céu me procura
O sonho ainda não acabou
Meus olhos ainda esperam
Um anjo que me traga esperança
É noite e tenho medo
Debaixo da cama um monstro...
Na rua uma luz vermelha sinaliza
É hora de deixar este mundo e voar
Ir para onde meu coração mandar
Liberdade e pureza, eu os quero
Tristeza e raiva, eu os tenho...
Meu martírio, minha sina
Sentenças que faço sem medo

By: Katrina De Salem

terça-feira, 18 de maio de 2010

Vampiros - Eles Existem!


Os vampiros

De: Katrina de Sálem e Lorde Victor

Vampiros... Eles existem! Estão por toda parte, espreitando nossos pensamentos, observando nossas ações e cuidando para que continuemos crendo no mito, na mentira, na lenda. Eles nos perseguem nos sonhos, sondam nossas mentes, perfuram nossas almas. Estão lá, se esgueirando pelas sombras da noite, escondidos, próximos demais, próximos o bastante para acharmos que não estão lá.
Sempre em busca de viverem em sociedade, camuflados... Nos fazendo crer que somos os únicos aqui. Fazendo-nos pensar que amantes da noite, do sangue, de tudo que é mortífero, mórbido, aterrorizante... Não existem. Tudo pela preservação das espécies, para que tenhamos a tola sensação de estarmos no topo da cadeia alimentar. Eles sentem o perfume de uma alma obscura... Vêem-na como se esta fosse uma luz em meio a um oceano escuro, a seduzem, a veneram, a conquistam e a domam. Sentem e se impregnam nela como se dali tirassem a força vital para continuarem sendo belos, fortes e nefastos. Eles compartilham de carícias para com aqueles que os amam, dão-lhes rosas vermelhas, beijos na alma, carícias em forma de brisa, estrelas que caem, sonhos tenebrosos e um mundo incrivelmente infernal, belo... Paradisíaco... Eles aprisionam e manipulam como bem querem. O mito e a lenda é apenas uma capa colocada propositalmente sobre um segredo... Um segredo essencialmente perigoso. E todo aquele que o descortinar, será punido com morte. Por isso, continuemos crendo que não existem, e assim, nos manteremos vivos.

Obs: Texto fictício... Será?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Passagem


Tão efêmera é a existência humana

Qual a flor que se abre ao dia

E ao entardecer pende triste ao vento

Sem ao mundo deixar lembranças


Quão sem importância é o poeta

Quais os astros que iluminam o céu

Brilham e somem a luz da aurora

Sem com isso serem notados


Tão ilusório é o amor para vós

Nasce pequeno em um só coração

Machuca e abre feridas cruéis

Matando aos poucos tão sem valor


A morte! Apenas ela é verdadeira

Ceifa os fracos e os fortes num mesmo barco

Liberta as aves prisioneiras do preconceito

E Livra-se dos despojos carnais tão pesados.


Por isso, dela sou amante.


By: Katrina De Salem

Pequena Poesia de Sonhadores


Que farei eu neste meu triste poema?
Como irei respirar se roubas meu ar?
Como poderei dormir se me tiras o sono?
Como irei viver se sem ti prefiro morrer?

Por ti navego sozinha nas águas revoltas
De um mar inquieto que não domino
Afogo-me nele, me perco nas ondas.
E volvo a areia já sem lucidez

Naufraguei nos oceanos de tua ternura
E na ilha de onde não há resgate
Dedico o tempo a contemplar tua memória
Bebendo da fonte de interminável saudade

Queiram os Deuses o nosso encontro
Que nos braços teus hei de calar meu choro
Saciar minha sede na boca que é tua
E quem sabe por fim sentir-me completa

Zarpemos a terra natal dos ancestrais
Levemos conosco os sonhos de outrora
E vivas comigo cada nascer e pôr-do-sol
Onde o tempo é uma teoria ilusória

Por: Katrina De Salem

Dedico-a á ti, meu anjo de terras longínquas.

TE AMO!

Vampirismo


Dama sombria eu sou
Solitária amante noturna
Nas sombras minha alma ficou
Presa na sorumbática urna

Sozinha nos arredores duma rua
Espreito a indefesa presa agora
Escondida no brilho da lua
Eu o segui, sei onde ele mora

Tua vida fluindo em corrente
Um rio me banhando vital
Estou no domínio da mente
Desta bela espécie animal

Sorria criança humana!
Tua senhora agora ordena
Sou tua Deusa profana
És o escravo da cena

Espectros amáveis se curvam
A corte da noite se forma
Na floresta os lobos uivam
E tua vida me mantém morna

No topo me achas reinando
Aos meus pés a raça odiosa
Suas almas podres sangrando
E acredite: Estou sendo piedosa!

By: Katrina De Salem

Meu Gótico


Por entre os túmulos acinzentados
Deitado sob as flores inertes
Ele chorava pra mim em silêncio
Ao mesmo tempo que cantava

A saudosa trova de amor
Em bom francês entoava
A mão no peito tão pálido
Espremia intangível dor

Seus lábios tão frios calaram-se
No beijo de amor que lhe dei
A resistência enfim extinguiu-se
E com a chuva passou a cair

Tão belo estavas tu anjo gótico
Na boca tão rubra o sangue
Em teus olhos translúcidos os sonhos
Em teu corpo esguio meu desejo

Sorvei comigo a taça derradeira
Entrega a mim vosso amor
E deixemos a noite acalmar
Os suspiros loucos de doente amor

By: Katrina De Salem