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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Nada Absoluto


A brisa já não se move
Morta jaz com o som
O Silêncio cadáver da voz
Mortalmente posto sobre nós

As estrelas congeladas no céu
Brilham mais do que deviam
Encandeiam nossos olhos
Tiram-nos a razão

Este laço marcando a fogo
Dilacerando a consciência
Mente debatendo-se iludida
Em um mundo que já não gira

Um momento que rezamos
Aquele que nos prometemos
Vida e morte servas criadas
De nossos caprichos de paixão

Os cosmos ali cessaram
Dos astros tudo morreu
E na cama de luz galáctica
Sobrou nossos sonhos desnudos

Do tudo o nada absoluto
Apenas o palpitar do coração
A volitação da alma nos elísios
Um último suspiro sem razão...


by: Katrina De Salem 

Prisão



Fortaleza de gelo
Império implacável
Farol alí irredutível
Lutando contra o mundo
Protegendo um coração
Dos toques da ilusão

Sob o astro de fogo
Perece assim tão sublime
Da muralha ao nada
Da armadura a pele nua
Carne intocada
Cruelmente massacrada

Deixai! Deixai que o sol queime
Que destrua a prisão
Torne o âmago pó
Libertai da dor
O que já jazia ali morto
Sob o manto do fascínio

by: Katrina De Salem

Sobre mim



Estrelas caem ou é a chuva?
Na abóbada escurecida  gotejando
Luzes ou lágrimas divinas
Os anjos acima sussurram
Mas meus demônios aqui vociferam
Os amores sempre morrem
No final das estações
Como morreram os sonhos
Fragilizados pelo chão
Um beijo vermelho na testa
De cada um que deixei fenecer
Eu irei deixá-lo antes de te ferir
Meu coração é da noite
Como flor noturna orvalhada
Abre-se nas sombras e recusa a luz
Ou a luz recusa-me incessante?
Morrerei  aqui com meus medos
Vagando na escuridão de pesadelos
Uma hipnoze de terror
Que nunca me libertei
A morte quebrando a maldição
De um anjo de asas falhas
Mentiras e lágrimas, decepções
Como fundo de um quadro tristonho
Um sorriso cheio de tristeza
Um Adeus com cheiro de tragédia. 

By: Katrina de Salem

Estrela




Estrelas pequeninas que cintilam
No céu gelado de junho
Amigas confidentes que guardo
Diamantes cósmicos que ostento
Beijam-me sutil vossas luzes
Minúsculas luzes luzindo no infinito
Tantas! Confudem-me o coração
Diz a razão: Não pode tocá-las!
Mas a alma com elas levita
Um barco entre elas
Navegante estelar!
Zarpando de sirius a orion
Em meio de estrelas por certo
Um beijo eu deixo a ele
Que as olha com tanta paixão
Partindo com elas eu vou
Co’a aurora apago-me também
Noutra noite lá estarei 
Estrela pequena que cintila no céu

By: Katrina De Salem

Estrada de Estrelas


Estrada de estrelas
Degraus de cristais
Cintilantes caminhos
Guiando pra casa

Estranho silêncio
Silêncio estelar
Milênios e séculos
Perdidos no espaço

Dança de galáxias
Encontro de mundos
Morte de estrelas
Nascer de um sonho

O sonho de retornar
Voltar pra casa
Estar entre os iguais
Partilhar do mesmo coração

by: Katrina De Salem

Caminhos



Estrada com sublimado tapete de névoa
Sem faróis que a iluminem
Eis o convite daquele que vaga
Andarei pois todo o inverno!

Na carruagem veloz que rasga o vento
Dormita o coração que almejo
Corria livre e selvagem nos campos
E agora moribundo agoura a morte

Em caminhos distantes ele sonha
Sendo livre para o amor como jamais fora
Mudando as páginas do destino
Escrevendo “Glória” em todas elas

Desperta criança tristonha!
Estendo-te a mão bem mais simples que vós
Larga a morte e o sono indolor
Caminha comigo na valsa da vida

Co’a batida ligeira do coração
Um compasso fagueiro para dançar
Esgueirar-se na chuva, Brindar ao sol
Viver mais e morrer menos

Quando o medo assaltar-lhe a alma
E as muitas curvas da estrada lhe assombrarem
Lembra-te que além é primavera
E o inverno que aqui jaz lá já se foi

by:Katrina De Salem

Convites




Na noite de trevas dançantes
Algo fulgurou mais que a lua
Erguida impassiva na palidez
Sob os olhos d’algum lobo
Um violino afoito chorava
Num quarto de luz umbralina
As notas fulgazes fugiam
Rodopiando pela estrada vazia
Ouvidos latentes, olhos dormentes
Ninguém o ouvia
Senhora soturna ouviu
E co’as sombras veio dançar
Na chama do candelabro
Tatuada na parede moveu-se
Dama hostil de olhos ardentes
Convidando-o para valsar
O arco não perdeu a vida
As cordas não emudeceram
A morte frustrada partiu
Levou um manto escuro
Desfiando a madrugada

By: Katrina De Salem

Tristeza


Tristeza não é um nome
É um rosto que fito desolada
Em busca de cicatrizes
Que me dizem quem eu sou

Tristeza não é um nome
É o que carrego em minhas entranhas
Tão habilmente escondido
Velada sob o manto do sorriso

Tristeza não é um nome
É abismo pra rastejar
Um inferno pessoal e intransferível
A ferida que batiza

Tristeza não é um nome
É o veneno que eu sorvo
Me matando vagarosa
O rastejar de uma negra serpente

Tristeza não é um nome
É meu rosto e minha alma
Minha obscura identidade
Meu sobrenome e irmandade.

Tristeza é alegria avessa
Pintada em negro e sarcástica
A boêmia que se ri
De tudo que se quebra em mim 

by: Katrina De Salem

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Máculas de Anjo



Os olhos dele eram mais do que eu poderia ver
Abismos azuis, profundos onde caí em queda livre
Não toquei o chão, mas pensei em voar
Livre em direção a um abraço mortal

Tua alma tão límpida das máculas mortais
Coroada com pétalas brancas reluzentes
Um anjo com a face tão taciturna
Olhos de oceano que eu quis me afogar

Teu toque divino, rosto angélico
Um coração demoníaco que jaz tão humano
Tingiu-te as pétalas brancas de outrora
No vermelho sangue mais vivo… Quente. 

by: Katrina De Salem

Valsa




Mãos dadas sob a luz do luar
Aquela mesma bela canção
Portes de mistério
Valsa de amantes
Véu de estrelas do infinito
Adocicado cheiro de Amor


Piano afrodisíaco, pianíssimo!
Allegro incandescente, Molto Allegro!
Rodopiam como anjos
Aqueles amantes audaciosos
No meio da noturna fantasia
Entre atmosfera d’outros tempos


Majestades desencontradas
Coroadas com flores de jardim
Altezas em baile real
Flutuando em valsa no quintal
Lua regente, vento soprano.
Estrelas bailarinas


Ao rei e a rainha
Um brinde feito de orvalho
Para que o romance seja eterno
Como eterna é a majestade
E os sonhos vindouros
Sonetos, Valsas, Serenatas.


Que não se emudeçam os violinos
Que a cadenza seja, pois, apaixonada!
Aos ouvidos de vossas graças
Esquecidas das horas
De pés leves, de olhos enamorados.
De lábios unidos, mãos apertadas.

By: Katrina De Salem e Victor D.T.

Sempre



Tão frio ele jaz, permeia a escuridão
Perfura teias, véus e lençóis
Esgueirando-se na noite aguda
Alcança-me sempre voraz

A fera louca que me devora
Sem dó rasga-me em pedaços
Nada resta nas suas garras
Farrapos em suas vis presas

Louca prisioneira conduzida
Aos pés de alguma guilhotina
Debatendo-se inútilmente
Como ave selvagem cativa

Queria afinal voar livre
Escapar do monstro que me sorve
Impiedoso e ardiloso
Sempre que olho as estrelas.

by: Katrina De Salem

Vazia


Vazia
Um uivo de zéfiro dançando
Dentro de meu coração
Um eco que se repete
Sempre que buscam amor
Vazia

A rainha de gelo na sacada
Imaginando como é amar
Finge que sim, mas sabe que não
Ela sempre será assim
Vazia

Amor são flores,perfumes e cores
Sair do chão sem ter asas
Borboletas de multi cores
Sorrisos, ‘Eu te amo’, ‘Para sempre’.
Vazia

Em meu inverno alvo e quieto
Meu coração é um túmulo
Abriga cadáveres de amores
Um luto, um mortuário, uma cova.
Vazia

Flores para o meu luto, perfumes
Negro véu para a viúva virgem
Corvos e um novo agouro
Lágrimas,’Nunca te amei’, ‘Adeus’
Vazia

Da sacada vi o mundo falso cair
Os amores ruíram com ele
E meu palácio glacial não fenece
Nele guardo-me dos sentimentos
Vazia

A Rainha do gelo na sacada
Sem príncipes ou valsas
Eles não me encantam, não me tocam
Sempre glacial,do inverno, do inferno e…
Vazia.

By: Katrina De Salem

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Todos só querem ser salvos



Todas as suas lembranças, seus medos
O passado levantando da tumba
Pra te assombrar e perseguir
E o amor só existe quando te salvo
Pois todos querem ser salvos…
Debaixo das minhas asas
Fugindo da escuridão
As minhas asas quebradas
A minha própria escuridão
Um titã feito de areia
Desabando na beira do mar
Seu amor comigo fenecendo
Quando eu não puder mais me levantar
Tão mais fraca que você
A salvadora não acordará
E quando o brilho me deixar
Seu amor com ele irá partir
Pois todos querem ser salvos…
Todos só querem ser salvos…
Quem salvará os salvadores?
Uma cruz e um altar
Preces elevadas ao céu
Navalhas e mentiras para me cortar
A salvadora pedindo a um salvador
Perguntei ali aos pés dele:
Todos só querem ser salvos?
No apocalipse das almas
Há tanta hipocrisia e mentira
Eles adoecem na própria lama
E clamam pelo amor de um salvador
Amam os fortes,Tão mais fortes que eles
Amam a força dos fortes
Amam ser salvos, amam a salvação
Mas quando o forte ruir
O deixarão morrer sozinho
“As mais brilhantes estrelas morrem”
Mas não precisam morrer sozinhas…
E todos só querem ser salvos
Mas nenhum  salvo me salvou
Quando seu amor tocar-me sublime
Chamando-me de salvadora
Saberei que nunca amou-me
Ama apenas o que represento
O seu "Jesus" Pessoal
Quando não mais isso significar
Irá como todos os outros partir, me deixar
Procurando outro salvador
Pois todos só querem ser salvos….

By: Katrina De Salem