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sábado, 24 de julho de 2010

Tragédia Amorosa

Horas amargas sucedem esta triste decadência
No furor das ondas ferventes deste oceano
Poluído pelas lágrimas, santificado pelas estrelas
Tão puro como o orvalho que sorve a rosa matinal

O ardor que te matava, te fazia suspirar
Agora que já é frio, é tortura, te irrita, te perturba.
Não mais queres o rosto que beijastes
Já não jura-lhe amor como outrora o fez

Ser-lhe-ia o mais belo dos amores, dizia...
Mas agora passado o tempo, já não ama teu Romeu
O desprezo é delicado, diz ela, ao coração que dói.
_ Esquecer-me ele irá, se não o fizer, dar-lhe-ei as razões.

No meio do mar ele navega, engolido pelo monstro azul
Em busca de um horizonte, o infinito que não alcança
A humilde embarcação se perde no corpo marítimo
Quebrou-se um coração, uma alma, um barco.

Ondas suaves devolvem a terra um corpo já frio
Tragédia amorosa, só na morte, descobriu-se o afeto
Molhado do mar, molhado de dor, molhado por pranto
A donzela agora jura casar-se enfim com seu defunto.

Sem mais pudores beija os lábios tingidos de azul
Azul com o céu, azul como o mar! Azul como os olhos
Não chores mulher aflita! Toma teu próprio remédio:
_ Esquece-lo tu irás, se não o fizer, surgir-lhe-ão as razões.


By: Katrina De Salem

Medos



Medo!
Do escuro... Que me sorve!
Como um compulsivo se afogando no vinho.
Da noite! Que se arrasta e me cobre
Como lençóis pesados postos pra esconder uma desgraça

Cobrem o despedaçado de meus sonhos... A penúria.
A fome que tenho de um amor, um fantástico amor
Que liberte, me dê ares, me dê algo mais que a vida.
Esta fome que nunca é saciada, interminável. Inacabada.

Tenho medo da vida!
Porque temer a morte meu caro? Se ela é minha aliada!
A vida me força a sangrar, sou escrava dela, serva leal
Carregando sob o sol minhas lamúrias...

Meu medo também é das pessoas.
Este é meu maior temor. Deram-me a coroa de espinhos
Atiraram-me suas pedras mais pesadas... Cuspiram em mim.
Esfarraparam minha alma, me desnudaram. Tudo porque eu existo...

Qual teu medo afinal? Tu que te escondes nas sombras
Respirando como esta fosse a última vez, sob o fio da navalha
Neste teu derradeiro dissabor
A pungente dor te levou mais que lágrimas, trouxe mais que insônia

Deu-te medo!

By: Katrina De Salem

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Qual o gosto?

Se na escuridão de sombrios pensamentos perco-me
E em mares de escassez de vida eu me afogo
Sê-lo-ei bem mais que uma atormentada por feras
Mas uma vitima de mim mesma

Qual o ser que se devora para não ser devorado
Atirar-me-ei em rios e pedras
Para sorver da vida o ultimo gole de sorte
E fugir da realidade suprema que me cega

Qual o gosto que tem? Pergunto-lhe
Rios de sangue serpenteando o alvo pescoço
E os olhos luminosos ainda espreitando
Á espera do suspiro final

Que gosto tem a morte caro amigo?

O mesmo gosto, dir-lhe-ia, dos invernos mais longos
Onde tapetes brancos cobrem tudo melancolicamente
O mesmo gosto do grito que ainda ecoa
Pela rua nas madrugadas solitárias

Qual o gosto da eternidade?
O mesmo dos sonhos que outrora nos animavam
E hoje não passam de uma ilusão fugaz?
Ou o mesmo sabor do beijo jamais dado?

Qual o gosto enfim da tristeza?
Talvez tenha o mesmo da taça de vinho quente
Que nos acompanha inevitavelmente
Por estradas escuras de nossas mentes

Agora que saída tem a poetisa?
Senão se render às sombras e ao luar
E se declarar uma leiga nas perguntas mais simples
Nas filosofias mais falsas e profanas...

por: Katrina de Sálem

Sombra

A sombra se ajeita no lago
Onde a lua é calma e brilhante
Embala a alva senhora que dorme
No silencio que entoa em prece

Revoadas tornam aos ninhos
Antes que o alvorecer os alcance
Como almas que volvem aos corpos
Depois de vagarem sonâmbulos

Nada mais inquieta a sombra
Que dorme detrás do sol da manhã
Imperturbável e ininterrupta
Na luz dourada repousando

O violino que amor a ti declara
É o mesmo que fúnebre canta ao que jaz
Jura amores eternos nas notas duma escala
Dá adeus á sepultura em consternado lamento

Todo coração não é todo sombra
Tampouco todo luz o será
Mas que de amor transborde então
Pois todo amor o pode ser

A beleza que esta noite de fascínio tem
É o aguilhão do aflito solitário
O esplender noturno o sufoca
Pois no breu ele buscou seu refúgio...

No escuro ele encobre sua dor, seu medo
Mas a musa de prata impiedosa os mostra
Revela ao coração suas mazelas
Os pesadelos que fugiu por tanto tempo

As sombras não encobrem o que ele foi...

by: Katrina De Salem

domingo, 4 de julho de 2010

Sua

Raio da lua tocando-me o rosto
O toque delicado como o teu. És tu?
Terás tu pensado em mim?
Como tenho feito todas as noites
Igualmente sonho contigo
Vi-o ontem, abraçando-me tão ardente.

Assim como as ondas beijam a areia
Seus lábios beijaram os meus
Suaves, marcando-me, tentando-me
Incansáveis! Tua pele tão quente
Respiravas com tanto furor, murmurar de um oceano.
A prece de um imponente mar falando de amor
Ligando-me, como pequeno rio á você.

Sinto em mim algo teu, tua alma talvez
Estás sempre em mim! Incessante.
Mais perto de ti estou a cada noite
Próxima demais para já não amar
Resistir já não posso, não quero!
Eu sou cada vez mais sua... Como a presa e o caçador.

By: Katrina De Salem

Anjo

Anjo meu que voa
No céu gelado do inverno
Cortando estrelas e a lua
Silhueta angelical entre nuvens

Saístes de fendas infernais
E alcançastes com tuas asas
O ar puro de um paraíso
Jamais sonhado pela fé humana

Na minha solidão tu vens a mim
Tua voz é o vento que uiva
Um arrepio pela lembrança viva
Memória de nosso último beijo

Teus olhos, esmeraldas tão belas
Teu rosto! Tua perfeição só vejo em sonhos
Nas viagens delirantes que tenho
Nas noites que me visitas

Sem você, não há um amanhã
Minha estrela maior, desejo meu
Mesmo que nunca te alcance
Eternamente te amarei.

By: Katrina De Salem

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Meu Vampiro




Um vampiro corre na noite da eternidade
Se esconde , se esgueira, me persegue, me machuca
Ele me ama, me detesta, me quer e me rejeita
Doce criança das sombras, amor meu impossível.
O vampiro dos meus sonhos, que brinca em pesadelos

Seus olhos tão claros e selvagens me observam
A pele tão branca, cabelos tão leves , esvoaçantes
Atento a luz da lua, atento a queda da virgem
Sangrando meus pensamentos, em busca de meus segredos
Minha fraqueza, meu medo, domarás a dama incauta?

Em castelos distantes corremos, em busca do tempo perdido
Memórias abertas, revividas, sombra de algo antigo
Doze badaladas e o belo se transforma
Senhor das sombras revela seu nome á donzela
O sangue enfim cai nos lábios do lânguido vampiro

Vagando pela madrugada em busca de algo mais
Imagens se projetam na luz de cintilantes estrelas
Caça e caçador no baile da vida e da morte
Tempestade que cai e aquece nossos corpos vaporosos
O beijo que me foi dado, guardo ainda na mente
Rara beleza é a tua, raro amor é o nosso.

By: Katrina De Salem

Devoção




A chuva cairá sobre nós, mas serei teu abrigo
Nas noites mais frias cobrir-te-ei de amor
Dar-te-ei estrelas e uma lua toda prata
Retirarei espinhos do teu caminho
E jamais porás dedos em agudas armas

Se cair... Irei primeiro para te amparar
Se estiver escuro demais, incendeio minha alma
Se tiver sede, beberas de meu choro devoto
Se estiver faminta, comeras de minha carne

O mundo está nublado la fora minha criança
Não saia pra guerra sem teu escudeiro
Se o pecado for o caminho, morreremos profanos
Mas deixe-me morrer por ti... Me deixa ser teu mártir

Por: Um certo Lord a quem considero meu pai.

Lírios



Lírios, tão belos! Os quero pra mim.
Para cobrir meu sepulcro tão frio.
Na paixão do poeta que morre
Irei buscar na poesia um veneno

Em bosques nevoados te escondes
Guardando os lírios que são meus
Me dando uma morte tão lenta
De passos tão falhos e desacertados

Triste criatura que chora sozinha
Debatendo-se em interminável agonia
Mas ainda na escuridão da morte
Agarra os lírios e junto deles chora.

Esqueci minha humanidade de outrora
Sou monstruosa em meu isolamento
Meu grito ilegível atormenta quem o ouve
Só choro, só rezo, pra ter lírios no sepulcro.

Escondi-me nas sombras do esquecimento
Aguardei o fim da era dos homens
Lacrimejante, tão desejosa do fim
Mas no mortuário eu espero por lírios.

By: Katrina De Salem

Solidão VI

Minha alma fenece em campos distantes
Agoniza lentamente com o sol poente
Pinta o horizonte em tons de vermelho
Um cheiro tão mórbido de dor

O sino badala ao longe em sussurros
Um triste lamento ao indigente que desce
Nas terras pútridas do cemitério
Acompanhado por uma miséria cortante.

A quietude do mato cheirando a chuva
A noite caindo como pluma ao vento
Sombras dançantes me engolem na noite
E um grito ecoa de uma boca sem voz

Descalço e com medo, deitada entre pedras
Os olhos tão frios, sem nada enxergar
Um delírio de virgem que sonha
Um desejo de mal que de mim se apodera

A flor tão austera de campos Elíseos
Colhida pelas mãos de cruel predador
Não sabe que a luz é parte das sombras
Não sabe que caminho deve tomar

Na lama escura também nascem lírios
De extrema beleza e esplendor
Não se envenenam ou se corrompem
Assim então deverei eu ser.

By: Katrina De Salem

Poesia de Morte




Chorai!

Poeta meu de misérias infindáveis e imensuráveis.
Bebei na poesia o liquido sublime da vida
Mas nas sombras tu te perdes toda hora
Na blasfêmia vossa alma mendiga por piedade

Na noite te entregas ao vicio insano da carne
Abafando tuas entranhas tão frágeis e tão cheias de amor
Esquecestes o afago gentil da luz das manhãs de maio
O brilho dos mares já não impressionam vossos olhos frios

Um véu denso e escuro posto por nefasta senhora
Aos teus olhos tem cegado sem disto te aperceber
Punhaladas desferidas em cheio em vosso peito
Fazem-no morrer antes da hora!

Reuniste em luxuoso salão para um baile profano
Uma corte de sombras que te rodeiam e te querem
Arrastando-te para o obscuro abismo dos homens
Teus pés na louca dança, te traem te levando a armadilha

Caístes, pecador poeta da noite!

by: Katrina De Salem

O monstro



Pelas sombras de esquecida floresta
No silêncio augusto da mata
Estranha criatura se esquiva
Dos olhares cruéis da humanidade

Monstro de faces tristonhas
A murmurar qualquer coisa na noite
Chorando junto a um brilhante riacho
Lamentando-se diante da branca lua

Sua alma jamais encontrou descanso
Afoga a alma em cálice de dor
Bêbado de angustia agoniza na penumbra
Pelo sonho primaveril que jamais tivera

O amor nunca tocou-lhe a escura alma
Nenhuma mão ampara-lhe o pranto
Não há coração que do dele se compadeça
Delicado sorriso jamais o agraciou

Sua aparência grotesca a toda alma assusta
Mas no âmago miserável em sangria quer amar
Deseja com o coração em trapos abster-se das trevas
E na luz sadia um dia talvez dormir & sonhar.

By: Katrina De Salem

Farol



Mares negros tão revoltos
Murmurando chorosos na escuridão
A lua rainha se projetando em negras águas
Há um chamado distante que minha alma escuta

Na areia alva da praia
Deixei cair belas vestes que cobriam minha miséria
E revelei a noite toda minha tristeza oculta
Por fora, jardim alegre de primaveras perdidas.

Por dentro, mortuário abandonado, se desfazendo.

Naveguei pelas estrelas do céu
Em busca de uma cura pra almas que choram
Encontrei um sono que adormece o espírito e a dor
Um sono entorpecente que seduz e enlaça

Mar que me chama ao longe
Diz-me: Há eternidade para quem tem dor?
Para sempre serei a estrela decadente da madrugada?
Porque meu coração não se cala?

Alguém me falou de esperança
Um sentimento estranho, uma certeza do futuro.
Um farol no meio das violentas tempestades
Mas eu não tenho faróis em meus pesadelos.

By: Katrina De Salem

Cativeiro




Ao longo de tristes horas
Dedico minha alma a ti
Com pena,tinta e papel
Escrevo o que não disse
Uma magoa sem precedentes
Me fere a muito tempo
Ulcerando minhas entranhas
Que queimam nessa tortura
Me pedes para viver
Mas meu desejo é de morte
Me obrigas a te amar
Mas de ti agora tenho medo
Liberta-me de teu cativeiro
Deixa-me viver como ave solta
Definho em teu amor doente
Definho na tua obsessão de mim
Me matas quando me ama
Me envenenas ao pedir juras de amor
Não posso viver pra sempre
Nessa prisão que me armastes
O bem que tu mais adoras
Precisa deixar-te e ser feliz
Abre mão de tua boneca
E deixa a boneca sorrir.



By: Katrina De Salem

Sarau no Mato



Na magia da noite enluarada
Sob a claridade das estrelas douradas
Criaturas rodopiam no ar
Como faíscas de sonho azul

A música então ressoa
Nas arvores de antiga floresta
Uma festa de espíritos passados
Uma festa a luz da deusa lua

Quem tem olhos de homem não vê
Mas quem enxerga com a alma
É convidado de honra na noite
No sarau encantado do mato.

By: Katrina De Salem

Coração de Gelo

Dizem sem medo, que não amo
Que na minha negra alma
Corre um veneno amargo
Que de minhas faces... Nunca foram vistas lágrimas.

Dizem sem duvida, que não sou humana.
Que nesta carcaça carnal
Abriga-se uma força maligna
Que se alimenta de sombras... E detesta a sadia luz.

Dizem com convicção, que tenho poderes
E que deles faço uso
Pra escolher meus escravos
Meus enamorados são vitimas... De meu terrível capricho.

Falam ainda por fim, Que meu coração é de gelo
E temem que eu ao menos tenha um
Pobres almas tão perdidas!
Eu amo! Amo muito... Mas não a nenhum de vocês.

By: Katrina De Salem

Noturna Paixão

Na noite que embala o mundo
Pelos espelhos de um lago gelado
Vejo espectros efêmeros dançando
Esperando que alguém os repare

O vento gemendo tão triste
Abraça uma árvore dormente
Carrega na leveza a memória
De um náufrago em ilha distante

A lua no céu deslizando
No baile noturno de máscaras
Onde o feio afinal é belo
E a morte de vida se disfarça

Nos pesadelos de um sonâmbulo
Um fantasma de olhos vermelhos
Reclama uma antiga divida
De um amor juvenil mal pago

Felinos pelas sombras caminham
Atentos aos movimentos de espíritos
Um morto me toca gentil
E me saúda com beijo fúnebre

Estrelas no céu profundo
De rostos antigos e amáveis
Velhas amigas de outrora
Que costumam me ver cair

Na noite minha alma descansa
Das amarras carnais que a atam
E nos braços de um monstro lunar
Vai em busca de paixões obscuras.

Paixão ardente é minha!
Noturna, Soturna, Taciturna.
Sombria, solitária, gentil e vivaz.
Que morre e revive nas cinzas do sol

Amo a noite, as sombras, a morte
Em galáxias me perco a pensar
Em nebulosas navego sem tempo
E volto, acordando do sonho.

By: Katrina De Salem

Falso Ídolo

Ao meu falso amor dedico uma nota
Uma lágrima, uma poesia, um adeus talvez
Um sonho quebrado numa noite fria
Por palavras de amor que não eram pra mim

Ilusão minha, digo-te agora, em juramento
Amar, te amei, e suspirei pelo teu nome
Sonhar, sonhei, tentando chegar a ti
Traístes, traiu, o amor de alguém que chora

Ilegítima paixão minha que nasceu
De uns versos estranhos e doentios
E morreu, em estrofes de luxúria ardente
Não por mim, por outra.

Amargo é o gosto de lágrimas assim
Oriundas de um coração que se parte
Fragmentando-se, sumindo afinal
Assim como tu... Falso ídolo que cai.

By: Katrina De Salem

Brisa

Oh brisa que agita as folhas
Brisa suave da noite que cai
Acariciando flores pendidas
Mortas pelo entardecer frio

Doce navegar de Zéfiro
Acalentando com sutil sopro
Estrelas, astros que giram
No noturno céu de novembro

Levai de mim a tristeza
Que fere este coração que é meu
Destranque essas correntes
Que o faz prisioneiro das sombras

No teu toque de amor natural
Diga-me então: Onde anda a morte?
Que não veio quando a chamei
Não ouviu meus gritos como uivos

Terás tu, dobrado bem antes
E não levou meu apelo sonoro
Ao anjo negro e infernal
Que por aí vaga sem me notar?

By: Katrina De Salem